Saúde


Bactérias no intestino humano podem ser as culpadas e a cura para a obesidade



A obesidade está atingindo proporções cada vez mais alarmantes nos Estados Unidos, o que representa uma ameaça à saúde pública, além de agravar a crise na área e elevar os custos do atendimento tanto em nível nacional quanto mundial. Agora, pesquisadores do Biodesign Institute da Arizona State University, da Mayo Clinic, Scottsdale, estão pesquisando o que pode ser o motor da regulação do peso corporal: os diversos microrganismos que habitam o intestino humano.

A equipe vai explorar as contribuições da microflora intestinal para o sucesso ou o fracasso de dois tratamentos populares para a obesidade, esperando obter uma nova visão sobre como o peso corporal é gerenciado (ou mal gerenciado) com base na demografia destes microrganismos. “Nós normalmente usamos micro-organismos para resolver problemas ambientais, tais como a limpeza da água e a produção de energia”, disse a pesquisadora Rosa Krajmalnik-Brown, do Biodesign Institute.

Tudo começou quando o gastroenterologista da Mayo Clinic John DiBaise, cuja equipe também participa do estudo, começou a explorar os mecanismos subjacentes que levam à obesidade para contemplar as possíveis alternativas para a cirurgia de bypass gástrico, atualmente, um dos tratamentos mais eficazes para a obesidade mórbida.

Krajmalnik-Brown vai aplicar modernas técnicas de sequenciamento para avaliar as comunidades microbianas complexas nas vísceras dos pacientes que se submeteram à cirurgia de bypass gástrico, comparando-as às populações microbianas encontradas em pessoas com peso normal e obesas. Para ajudar no trabalho, o diretor do Biodesign’s Swette Center for Environmental Biotechnology, Bruce Rittmann, especialista no uso de comunidades microbianas benéficas ao ser humano, vai desenvolver um modelo matemático que integrará os resultados ecológicos e metabólicos reunidos no projeto.

O grupo já havia especulado que a composição da microflora no intestino humano pode desempenhar um papel vital no direcionamento do modo como a energia extraída dos alimentos é armazenada e consumida.

As bactérias envolvidas na fermentação, bem como metanogenes pertencentes ao domínio Archaea, parecem agir sintroficamente, isto é, numa colaboração que acelera a fermentação eficiente de polissacarídeos e carboidratos. Alguns dos produtos da fermentação são absorvidos através da parede intestinal e, finalmente, convertidos em gordura. Se não forem controlados, tais processos podem contribuir para a obesidade.

A fim de avaliar a contribuição das comunidades microbianas do intestino para alcançar e manter a perda de peso após o bypass gástrico, o novo estudo definiu quatro objetivos: 1) Usar sequenciamento para identificar os fermentadores que interagem com um grupo particular de micro-organismos que consomem H2; 2) Acompanhar e quantificar a presença de microrganismos luminais e da mucosa que consomem H2, usando PCR quantitativo; 3) Acompanhar os produtos metabólicos e determinar as sintrofias e funções metabólicas dos microrganismos associados com a extração de energia; e 4) Integrar e interpretar os resultados usando uma abordagem ecológica por meio da modelagem matemática.

Em última análise, novas revelações sobre a composição e a dinâmica das comunidades microbianas do intestino, particularmente a sintrofia delicada existente entre as bactérias fermentadoras e as Archaea metanogênicas, vai melhorar a precisão do prognóstico para os indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica. Além disso, tal entendimento pode ajudar a identificar indivíduos em risco de desenvolver obesidade, abrindo caminho para terapias não invasivas, com base na gestão da microflora intestinal.

| Texto do Dr. Alexandre Ferreira |